quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Resolução de Ano Novo, por Renato Sousa Antunes

Tu gostas dela, só dela. É difícil, mais difícil do que as outras, mas tu gostas dela. E mesmo que quisesses gostar de outra, por ser mais fácil ou garantido, tu continuarias a gostar dela. Não sabes se é para sempre, não sabes sequer se alguma vez o será. Nem tão pouco o que será se alguma vez o for. Não sabes o que aconteceu para assim ser. Não sabes por que razão, por muitas pessoas maravilhosas que se cruzem no teu caminho, ou que queiras incluir quase à força na tua vida por pura cobardia, não te passa esse amargo de boca no final de cada dia em que não tens notícias dela. Não sabes nada. Nem tens de saber nada, sabe-lo agora.

Uma pequena palavra de afecto, ou que se possa assemelhar minimamente a isso, é um mundo inteiro; enquanto o resto desse mesmo mundo nem te chega para (sobre)viver. É amor, e tu sabe-lo. E foi difícil aceitar que as coisas não são como imaginaste que iriam ser. Foi-o, ainda mais, perceber que estares completa e simplesmente entregue a ti próprio, sem nenhuma garantia ou compromisso, significa um amor, uma conexão, um sentimento, com uma profundidade que tu nem sabias existir. Que não estavas preparado para viver. Mas quanto mais se escolhe o amor, menos amor ele é. Não podes amar mais ninguém, não queres amar mais ninguém. A imagem dela no teu ombro, naquela noite, ficou para sempre gravada na tua mente; repete-se todas as noites assim que te agarras à almofada. Não podes mais fugir disso. Não podes fingir que não é contigo ou que podes continuar como se nada fosse. Não podes.

Ama-la de uma forma tão completa que mal sobra espaço para respirares. Ama-la pela razão por que qualquer pessoa ama a sua pessoa. Porque ela é a tua pessoa.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

"‘Tá difícil", por Renato Sousa Antunes

A dificuldade não é sempre má, ao contrário do que tantas vezes se pensa. Pelo contrário, é quase sempre bastante positiva. Vejamos: exponencia a imaginação e a perseverança, opõe-se à resignação e à cultura do facilitismo. Combate o ócio e a preguiça.

É verdade que pode levar ao cansaço, à desistência e à tristeza. Mas nesse ponto, como em tantos outros, tudo depende de nós. Tudo o que é difícil requer o melhor de cada um de nós. Saber dar a volta aos problemas bicudos é uma arte. Mais do que isso, é inteligência e sentimento. Quem nunca trabalhou, tentou, falhou, tentou mais uma vez, falhou de novo, tentou de outra forma, não sabe metade do que deveria.

Existem ainda aquelas raras situações em que é mesmo impossível. E percebê-lo também requer engenho. Temos o crivo desta decisão, quase por definição, demasiado largo; não raras vezes damos por impossível o que ‘apenas’ requereria o melhor de nós. Por vários motivos: ou não o queremos verdadeiramente, ou estimamos que o seu valor não compensaria a trabalheira desgraçada que teríamos até o conseguir, ou porque – como acontece na maioria das vezes, arriscaria eu – temos medo de vir a constatar que o nosso melhor não chegaria para o conquistar. O medo, a insegurança, esses nossos velhos conhecidos.

Há alturas em que é imperativo que nos decidamos. Ceder à facilidade, ir pela auto-estrada e arcar com as portagens; ou, pelo contrário, arrepiar caminho pela nacional, levar com as curvas do Tramagal e demorar o triplo do tempo. Há diferenças. As auto-estradas só nos levam aos sítios mais fáceis, mais acessíveis. As nacionais, com tempo e conhecimento (esse bem mais do que essencial), levam-nos onde quisermos verdadeiramente chegar. Cansa mais e sabe melhor.

Eu, quando sei que vale a pena, quando tenho a certeza de que vale mesmo a pena, aventuro-me pela nacional.

Venham então as curvas e contra-curvas, os buracos, a falta de sinalização e os acidentes. Valerão a pena!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

"Aquele período de sonho", por Renato Sousa Antunes

Mal respiro. Sim, estou engripado, mas não é esse o motivo. Tenho uma sensação má no estômago, ou onde eu imagino e se convencionou ser o estômago. E não sinto um vazio, ou um aperto, ou o que quer que se costuma sentir nestas alturas, sinto algo diferente – porque é meu e porque tenho a certeza de que ninguém é capaz de o sentir. Sinto algo mau, ponto final. Sinto saudades, mas não sei de quê. Ou sei. Mas não tenho a certeza. É bastante simples, no fundo: tenho saudades de algo que não aconteceu. Aliás, não é bem disso: tenho saudades dum certo período em que imaginamos como poderão vir a ser as coisas. É muito chato, de facto, porque em 90% dos casos as coisas não acontecem como imaginamos ou – pior ainda – não acontecem de todo. Mas mesmo assim, como crentes que gostamos de ser, acreditamos vez após vez que naquela ocasião será mesmo como imaginámos, ou melhor. Nunca pior.

É um sabor agridoce, tal e qual o famoso molho da McDonalds. Amargo porque não aconteceu, ou porque aconteceu com muito menos pinta do que o sonhado; doce porque teria sido fantástico, inesquecível e inacreditável se tivesse ocorrido como imaginámos. No fundo alimentamo-nos disto. Sonhos. Verdadeiros ou falsos, realizáveis ou não, ninguém os consegue arrancar de nós.

Além do mais, existem os 10% de casos em que tudo corre como esperámos. O que também é um mito, ou não corresponde totalmente à realidade. Mas aqui, nestas escassas ocasiões, essa não-correspondência é pela positiva. Nunca é possível imaginarmos com precisão e pormenor a realidade caso as coisas funcionem mesmo. A realidade é sempre melhor quando temos a sorte de tudo correr bem; as situações que imaginámos são ainda mais vívidas, as emoções mais avassaladoras, os abraços mais fortes e os beijos mais sinceros. E isto faz com que tudo valha a pena. Os desaires, as derrotas, as tampas, as indecisões, os medos, as zangas. Tenho saudades de vislumbrar este período, de sonhar com ele; está na hora de vasculhar nas recordações.


E eu tenho a certeza que seria excelente, e eu tenho a certeza que será excelente.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

"A laranja mecânica", por Petra Amaral

Título original: A clockwork orange
Ano: 1971
Realizador: Stanley Kubrick
Com: Malcolm McDowell, Patrick Magee, Michael Bates

Sinopse: Num Reino Unido futurista, depois de ser preso, o delinquente Alex DeLarge voluntaria-se para um novo e controverso tratamento para o combate ao crime desenvolvido pelo governo que suscitará grande polémica…

Crítica: Decidi escrever sobre este filme depois de ter lido o romance (pelo qual me apaixonei, confesso) e, como tal, vou expor as grandes diferenças entre as duas faces da laranja mecânica – Burgess vs. Kubrick. Aviso que pode conter spoilers!
Comecemos por Stanley Kubrick (atendendo ao facto de eu ter visto o filme antes de ler o romance). No filme é-nos apresentado um grupo de adolescentes britânicos, num tempo futurista (algures em 1980), liderados por Alex DeLarge – a personificação do anti-herói amante da ultraviolência e da música clássica, sobretudo Beethoven -, os drugos (amigos, em linguagem nadsate) compostos por Georgie, Pete e Lerdo encontram o prazer a espalhar o pânico na comunidade onde vivem. Um dia, os drugos revoltam-se contra a forma como Alex decide sempre o que fazer e quando o fazer e montam-lhe uma cilada: assaltam uma casa e deixam Alex ser constituído como único culpado desse assalto, bem como de todos os crimes antes cometidos pelos quatro adolescentes. Então, Alex é detido com uma pena de catorze anos. No entanto, quando cumpria o segundo ano da sua pena, surge a oportunidade de servir de cobaia no Tratamento de Ludovico ao qual Alex se submete.
O Tratamento de Ludovico, desenvolvido pelo governo britânico, consiste numa terapia em que os criminosos voluntários são obrigados a visionar filmes sobre crimes que eles próprios cometeram, sem se poderem mexer nem fechar os olhos. O objetivo é que os criminosos sintam repulsa e nunca mais consigam praticar tais crimes, e é isso que acontece com Alex que, terminadas as sessões do tratamento é libertado. Uma vez lançado à rua, o adolescente percebe que todos os que um dia magoou se revoltam contra ele: é frequentemente agredido na rua, os seus amigos são agora polícias que o odeiam, os seus pais não o recebem em casa e, finalmente é usado como bode expiatório pelos vários partidos britânicos em tempo de campanha eleitoral.

Quanto ao romance A Laranja Mecânica, de Anthony Burgess (1962) é de salientar fantástica linguagem nadsate (adolescente) que o autor conseguiu criar, do inglês, russo e outras gírias, algo que aparece pouco no filme, como seria de esperar.
Para além das habituais pequenas diferenças nas características dos personagens, Kubrick peca pelo facto de não ter explicado aos espetadores que o moloko é uma mistura de leite com estupefacientes que estimulam os adolescentes a cometer as barbaridades ultraviolentas. Isso fazia muita diferença e explicava por que razão Alex aparece em tantas cenas a beber leite; Kubrick falha também quando não desenvolve no filme questões fundamentais da ultraviolência – não mostra os assaltos a lojas referidos no livro e as adolescentes com quem Alex se envolve no livro são descritas como meninas de dez anos, ao passo que no filme são jovens com pelo menos dezoito – nem desenvolve a questão mais fulcral: quando sai da prisão, Alex passa a ser perseguido pelos fantasmas do seu passado e pelo Tratamento Ludovico. Embora o governo entendesse que o tratamento serviria para que o jovem nunca mais voltasse à delinquência, a verdade é que foi bem mais além disso: o tratamento transformou Alex num homem mecânico, sem livre-arbítrio nem vontade própria que se torna sensível à ultraviolência mas não num homem melhor (a sensibilidade é manifestada através de enjoos). Burgess questiona se a lavagem cerebral feita a Alex é correta, se é justo uma pessoa agir mecanicamente e critica a forma como este caso é aproveitado pelos políticos para fazer propaganda: de um lado está o governo que fala de um tratamento inovador que erradicará a violência em todas as suas formas e, do outro lado, está a oposição que se aproveita de Alex, num momento em que comete uma loucura, para criticar o tão inovador tratamento que o governo britânico pretendia desenvolver, colocando na mesa as questões do livre-arbítrio e da autonomia retirada a Alex.
Finalmente, Kubrick falha ao não explicar bem o título do filme. Pensei: «mecânica» talvez pelo facto do nosso anti-herói se transformar num humano mecânico e deixar de ter vontade própria, mas finalmente, ao ler o romance entendi que A Clockwork Orange é o nome da obra na qual um escritor – outra vítima nas mãos de Alex e dos seus drugos – descrito como novo no livro e algo velho no filme está a trabalhar e que, mais tarde, se torna na sua obra de vida.
Não quero, com isto, desencorajar as pessoas que ainda não viram o filme. Muito pelo contrário, vale bem a pena! Quero, no entanto, salientar as principais diferenças entre as duas faces da laranja mecânica. Se leram o romance mas ainda não viram o filme, talvez tenham uma pequena desilusão quando o fizerem – como em quase todos os livros que são adaptados ao cinema – mas não perdem nada em fazê-lo, aliás, render-se-ão à fantástica interpretação de Malcolm McDowell, que dá vida o nosso anti-herói. Por outro lado, se viram o filme mas não leram o romance, o meu conselho é que o façam! É um livro pequeno, de leitura fácil e pode ser encarado como uma obra negra de ultraviolência ou como um cómico relato de Alex, daquilo que foram os seus anos de adolescente. Se adoraram o filme, preparem-se para se apaixonarem pelo livro escrito numa linguagem nunca antes vista e criada pela ousadia de Anthony Burgess.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sacanas Sem Lei, por Petra Amaral

Título original: Inglorious Basterds

Ano: 2009

Realizador: Quentin Tarantino

Com: Brad Pitt, Christoph Waltz, Michael Fassbender

Sinopse: Em plena IIª Guerra Mundial, um grupo de judeus revolta-se contra as barbáries cometidas por Adolf Hitler e pretende eliminar o maior número possível de nazis.

Crítica: Decidi optar por um género diferente: ação. Ainda não tinha escrito sobre este grande Senhor (e sim, com ‘S’ maiúsculo) que se dá pelo nome de Quentin Tarantino. A mente tarantinesca está patente em cada um dos seus filmes… desde “Reservoir Dogs” (1992) até “Django” (2012), sem nunca esquecer o inigualável “Pulp Fiction” (1994), porque os anos passam e a sua genialidade mantém-se.
Inglorious Basterds não é um retrato do que aconteceu na IIª Guerra Mundial, no território francês ocupado pelos nazis - está muito longe disso -, é sim uma descrição da IIª Guerra Mundial na mente tarantinesca, por isso, se o espetador não conhece o trabalho de Tarantino e espera algo do género “The Pianist” (2002), Schindler’s List” (1993) ou até mesmo “Saving Private Ryan” (1998)… está deveras iludido, porque Quentin Tarantino é sinónimo de frases marcantes, longos diálogos e acima de tudo: sangue.
Quanto ao desenrolar da ação e dos personagens, o grande destaque vai, sem dúvida, para Christoph Waltz, um ator cujo trabalho eu não conhecia até então. O papel do coronel Hans Landa assentou que nem uma luva no ator austríaco, o grande personagem de toda a trama. Por outro lado, a versatilidade de Brad Pitt volta a mostrar-nos porque é que é um dos mais requisitados e badalados atores de Hollywood. Também o bear jew Eli Roth (realizador de Hostel e Hostel 2) volta-nos a demonstrar que é bom tanto à frente com atrás das câmaras e finalmente, Diane Kruger dá um toque mais encantador a uma trama demarcada por um grupo de judeus norte-americanos que se revoltam contra o Holocausto.
Por fim, e para melhor compreensão do filme – falo de Inglorious Basterds como poderia falar de qualquer outro – não basta ver as imagens em movimento e ler/ouvir os diálogos: é necessário entrar na mente do realizador, compreender qual a sua fonte de inspiração, como costumam ser os seus trabalhos ou, até mesmo, a sua vida pessoal porque são vários os fatores que podem influenciar o seu trabalho. Assim sendo, aconselho-vos não só a ver Inglorious Basterds, um dos meus filmes preferidos, como também outras obras assinadas por Tarantino para perceberem toda a sua linha de pensamento.

sábado, 1 de junho de 2013

Chuva de Verão, por Sia Oliveira

Como um fenómeno te precipitas, 
Corres pelas ruas ensolaradas. 
E na tua passagem apressada, 
Não reparas nas flores 
Que brotam nas varandas. 
Vê como são leves, 
De todas as cores! 

Com ignorância, 
Vais correndo a par do tempo. 
Choveste na infância. 
Ainda choves, 
Acanhada chuva de Verão. 

Na margem onde viajas, 
Vais-te evaporando. 
E na terra onde entrares 
Voltarás às origens, à sombra. 
Sem que te apercebas, 
Não verás mais as flores. 

É inverno 

E só choves no Verão.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Acácia, por Sia Oliveira

Cercada de invisibilidade,
Abelha, que na acácia procuras amarelas flores,
Mata o desespero.
Inspira da flora os odores
Livres da sociedade.
Ora e crê que é efémero.

Calma! Que na
Alma de quem ama
Surge a fé.
Talvez não ate, mas segura a vida.
Espera! Não voes já!
Lá, onde o vinho dá vida,
Onde Deus não perdoa a tua dívida,

Beberás a saudade do néctar da flor.
Ri. Ri de loucura e os
“Ai’s!” que bramires
Não serão gritos de amor.
Certo que será mais fácil…
Oscilarás? Terminarás com a dor?

Confortavelmente Amargurada, por Sia Oliveira

Trajada de capa branca,
Envolvida numa aura dourada,
Chama-se Bela e
Anda como pairando,
Anunciando ao Homem a madrugada.

De vidro é o vazio
Que lhe ocupa a penosa alma.
Um espírito que flagra num
Corpo dormente de belo.
É-lhe singular a petrificante calma.

De entre a confusão,
Bate com subtileza as asas,
Na esperança de quem procura
Reacender o amor no coração.
E foge do tumulto citadino.

Lá, no meio da floresta mágica,
Lá, onde fora encontrada,
Rodeada das suas ilusões,
Ígneo é o olhar de quem a descobre
E a chama de musa, de fada...
De dona de (perdidos) corações.

Recolhendo-se apavorada
Ouve a brisa atroz,
Com o temor de quem não ama,
Na sua demência a lhe dizer:

– É o poeta, é o poeta,
A permitir o amanhecer.

sábado, 4 de maio de 2013

Agora nada me resta... por Andreia Veríssimo


Restava agora de mim o que outrora desaparecera
Ou se escondera
Havias tirado da minha pessoa até a última gota
A última gota de um mísero espírito feliz
Que nada mais queria ser do que aquilo que já era
Deixando somente para trás algo que o tempo decompusera

Ressurgiu então um lado pessoal
Completamente diferente do habitual
Um rosto marcado pela raiva, pelo ódio
Um olhar cujo azul desaparecera por entre brumas de escuridão
Uma faceta negativa, melancólica, triste
Que no final não passou de um coração que tu feriste.

A antiga luz que viste o meu rosto partilhar
apagou-se. E o vazio até agora encoberto decidiu expirar,
para o resto do mundo, uma imensidão de nada.
Exponho-me perante ti como objecto mórbido,
como suores perdidos numa noite de amor tórrido,
como uma memória, pelo tempo, despedaçada.

Brincadeiras sérias, por Miguel Brito

Ela tenta ser séria
Com uma sobriedade
Que eu diria que é grave
Para sua jovem idade
Meninas crescidas resolutas
Na eficácia e perspicácia são astutas
Não altero a postura
Se eu não sinto culpa
Duma falha denunciada
Entre palavras e testes
E teimosias em testas de ferro
E nunca nunca há de ser casual
Muito menos consensual ou cordial
Mas tem é que ser consentido
Eu perco-te em palavras com sentido
E tu dirias que vou fingindo
Enquanto caio em frases feitas
Descaio-me mais um pouco e tu aproveitas
Para tirar mais conclusões e ilações
Passámos a confidenciar em dois serões
Tentas acertar pressionando errados botões
E ela irrita-se com o meu malabarismo
De palavras que não são sábias
Mas que são sabidas
Eu serei poeta, ou só terei lábia?
E quero uma relação sadia
Mas ficamos presos na corda neste dia
Astutos casmurros da conversa da treta
Pedreiros e trolhas das cores da paleta
Com que eu pinto imagens letra a letra
Não é só poesia pra lhe fazer a vontade
É prosa, é canto livre, é liberdade
É alegria, é dor, é tristeza… é apenas saudade